Entrevista: Dave Filoni Sobre Star Wars Rebels, Parte 3

O Inquisidor. Vader. Ahsoka. O Produtor Executivo De Star Wars Rebels Discute O Final Da Primeira Temporada E Muito Mais!

StarWars.com conclui um profundo mergulho na temporada um de Star Wars Rebels com o produtor executivo Dave Filoni, discutindo os melhores momentos de uma temporada eletrizante a cada minuto, incluindo o retorno de um certo Lorde Sith e seu antigo Padawan, além do que tudo isso significa para a tripulação do Fantasma. (Considere este seu alerta oficial de spoilers e, caso tenha perdido, certifique-se de ler a parte um e a parte dois desta entrevista!)

StarWars.com: Sobre o episódio final da temporada. Houve certo fato sobre a morte do Inquisidor, e talvez você discorde, que me pareceu um pouco Jedi. Ele não parecia estar com medo de morrer; ele aceitou sua morte. Pode esclarecer isso?

Dave Filoni: É interessante. O Inquisidor escolhe a morte, pois isso era mais fácil que enfrentar a punição por seu erro. Ele teme Vader e sabe que provavelmente morreria nas mãos dele. É por isso que ele diz a Kanan, “Há coisas muito piores que a morte.” Ele se entrega à morte, mas não faz isso como Obi-Wan, rendendo-se de uma forma poética, sacrificando a si mesmo para o bem maior. O Inquisidor faz isso por medo.

Na versão original do script, Kanan conseguia alcançar o Inquisidor para salvá-lo, mas quanto mais eu pensava sobre isso, simplesmente não acreditava. Não acredito que haja qualquer coisa que o Inquisidor possa fazer naquele ponto para fazer aquilo ser uma decisão inteligente para Kanan.

StarWars.com: Ou para mostrar que ele é perdoável.

Dave Filoni: Precisamente. Se Kanan conseguisse alcançá-lo, o Inquisidor teria pegado sua mão, Kanan o teria puxado e o Inquisidor o teria enforcado até a morte. Ele ainda atacaria Kanan. Este não é um momento “Estou perdoando você”. Acho que existe algo dentro de Kanan que diz a ele que, em nível superior, aquilo é o que ele devia fazer, mas eles ainda não chegou lá.

O Inquisidor cai para a morte em Star Wars Rebels

StarWars.com: Se o Inquisidor tivesse pulado de volta, Kanan teria matado ele, certo?

Dave Filoni: Essa é uma pergunta difícil. Ter matado Darth Maul realmente ajudou Obi-Wan? Ou, Obi-Wan estava se vingando da morte de Qui-Gon? Mais tarde descobrimos que Maul não estava morto. O sentimento de vingança em Maul durou muitos anos e levou à morte de muitos, incluindo de alguém com quem Obi-Wan se importava muito.

Pense assim. Ele mata Maul, teoricamente, em A Ameaça Fantasma. O Jedi não aprende a distinguir se ele era um aprendiz ou um mestre. Eles não aprendem nada sobre os Sith. Eles não aprendem nada, e os planos de Palpatine continuam. Mas se ele capturar Maul, o que seria mais difícil, talvez o [esquema de Palpatine] não saia como planejado. O mesmo com Mace Windu. Ele vai ao gabinete do chanceler para prendê-lo. Essa é a ideia certa. Depois de o chanceler assassinar outros Jedi, ele decide matá-lo. “Ele é muito perigoso para ser deixado vivo.” Mace sabe que as cortes vão libertá-lo, certo? Bem, sua decisão de matar Palpatine é o que motiva Anakin a salvar Palpatine. Acredito que se Mace tentasse persistir na prisão dele, Anakin concordaria com isso para que houvesse um julgamento justo. Assim, essas pequenas áreas e decisões incertas acabam por exercer um grande impacto. O Inquisidor e seu efeito sobre Kanan provavelmente não acabou.

StarWars.com: Percebi que um grande tema dessa temporada foi, do começo ao fim, o medo. Essa foi uma decisão consciente desde o início?

Dave Filoni: Nossas histórias estão lidando com um jovem garoto que está crescendo em um mundo dominado pela tirania. Você não precisa escolher o lado bom da Força ou o lado sombrio da Força para ser afetado pelo medo. O medo indica, infelizmente, um número muito grande de decisões que as pessoas tomam todos os dias. Parte do desafio da vida é identificar quando você está fazendo a coisa certa ou agindo por medo. Acho que isso é algo com o qual os Jedi lutam. Você nunca atinge um ponto em que isso é passado. Você pode atingir diferentes níveis de iluminação, obviamente, mas sempre haverá a ameaça de que a corrupção ocorra. E você vai temer isso. Esse medo se transformará em raiva e você sentirá inveja ou ganância em relação às coisas. Sempre é necessário estar atento e equilibrar todas essas coisas ao mesmo tempo.

StarWars.com: Por que Tarkin está tão assustador?

Dave Filoni: Porque Tarkin está no comando. Exceto pelo imperador, é bastante difícil encontrar alguém com mais autoridade que Tarkin, especialmente em termos militares. Tarkin tem patentes superiores às de Vader. Vader tem que obedecer Tarkin. Então, para uma geração de crianças que não cresceram com Star Wars, isso é novo; como você explica a elas que esse velho homem está no comando quando o Inquisidor é tão mais legal e tem tanto poder? Bem, Tarkin entra em cena e não fica impressionado com nenhum deles, e os coloca em seus lugares. Ele não se deixa enganar. Ele nem mesmo acredita que Kanan é um Jedi. Tudo isso ajuda a torná-lo uma figura poderosa.

No início, Tarkin não chegaria em uma nave. Ele simplesmente entraria na sala. A execução de Aresko e Grint não estava no script original. Isso foi algo que acrescentei depois. Precisávamos apresentar Tarkin a um novo público e acredito que não apenas o apresentamos ao novo público de maneira eficaz, mas resgatamos a reputação que Tarkin tinha com os fãs mais antigos. Os fãs adultos acreditam que ele é um homem cruel, assim tivemos que resgatar essa reputação.

Um grande ponto que não pode ser ignorado em Tarkin é [o dublador] Stephen Stanton. Stephen fez um ótimo trabalho pelo qual não recebe crédito suficiente: ele fez a voz de Tarkin mais novo na série Guerra dos Clones. Assim, ele não poderia apenas repetir o que ouviu nos filmes antigos. Ele precisou criar uma voz que soasse mais jovem, e isso ele fez muito bem. Dessa forma, fomos capazes de pegar o diálogo e colocá-lo na versão mais velha do personagem. É uma união do Tarkin de Uma Nova Esperança com o Tarkin de Guerra dos Clones. Agora temos este Tarkin de Rebels, que provavelmente é o personagem mais cruel que já tivemos no seriado. E ele deve ser.

Ele é um vilão que desdenha dos outros vilões no seriado. Ele é do tipo, “Vocês estão enrolando demais. Não tolerarei isso.” Em seguida, você o vê executando Aresko e Grint, e isso é realmente significativo.

StarWars.com: Ele está matando vilões menores, o que o leva a outro nível de vilania.

Dave Filoni: Existe muito mais de vilão em Tarkin. Quando Tarkin falha no final da temporada, não exatamente por sua própria culpa, ele traz o peso pesado: Darth Vader. Isso é bastante problemático para a temporada dois.

É importante observar que não estamos contando a história de Darth Vader. O que Vader representa para mim em Rebels é a manifestação definitiva de seu medo e de sua incapacidade de ir para frente. Eles não serão capazes de derrotar Darth Vader. Este é um objeto imóvel. O jeito mais fácil de explicar é, nossos heróis são personagens de nível cinco e Vader é de nível 50. [Risos] Não será preciso muito para ele os derrotar.

Darth Vader em Star Wars Rebels

StarWars.com: A tripulação do Fantasma sabe que Darth Vader existe? Eles ouviram falar nele?

Dave Filoni: Isso é outra coisa bastante discutível o tempo todo. Existe um pensamento popular entre os fãs de que todas as pessoas sabem quem esse cara é. E por que saberiam? Não acredito que as pessoas em Coruscant realmente se importem ou saibam que Palpatine é um Lorde Sith. Muitas delas realmente não saberiam o que isso significa. Muitas diriam, “Bem, os trens estão correndo nos trilhos.” Todos estão bem. Isso é uma vantagem para ele.

Vader é uma pessoa conhecida para alguns, mas para muito poucos, eu acho. Ele é conhecido por meio de boatos. Os Imperiais o conhecem, mas muitos deles não o encontraram. Ele não é militar. Ele é mais a facção fanática do Império. Um dos motivos pelos quais acho que ele não é bem conhecido é o fato de que se você o encontrar, não sobreviverá.

StarWars.com: Quando estava assistindo Vader no último episódio, pensei sobre como você realmente vê um versão diferente dele em cada filme do Star Wars. Você tem ideia de onde Vader está mentalmente durante Rebels?

Dave Filoni: Ah sim. Você precisa ter. Sempre acreditei que Vader não tem nenhum pingo de arrependimento em seu corpo até ele perceber que seu filho está vivo. Luke é a oportunidade que desencadeia tudo que ocorre. Sua consciência de que Luke está vivo o força a lembrar de seu passado de uma maneira desconfortável. Força ele a se lembrar de Padmé. Força ele a ir mais fundo, “Talvez meu filho se unirá a mim, e juntos governaremos a galáxia.” Luke tem que fazer com que ele realmente esqueça esse pensamento, que culmina de certa forma naquela cena na ponte de Endor, quando Vader diz, “É tarde demais para mim.” Essa compreensão só ocorre por causa de Luke.

Até aquele ponto, acredito que ele é um destroyer. Ele é um destroyer incrivelmente enraivecido e cheio de ódio. Ele se odeia. Ele odeia o que aconteceu. Ele odeia todos os seus antigos amigos porque ele acha que eles o traíram. Anakin Skywalker acredita que ele nunca mudou de lado. Ele acha que ainda está lutando no lado bom. Ele acha que Obi-Wan o traiu. Ele acredita que Padmé o traiu e que isso provocou a morte dela e do filho deles. Ele acha que os Jedi estavam tramando contra a República. Ele acha que a República era fraca, e por isso se tornou corrompida e desmoronou apesar das tentativas de Palpatine para salvá-la. Além de tudo, ele tem um ódio interno de si próprio por tudo que ocorreu, pois acredita que não foi forte o suficiente para fazer as coisas certas.

Ele é consumido por essas ideias e está bastante aprisionado. Ele não tem outra opção a não ser aceitar sua nova identidade, Darth Vader. O que encontramos em Rebels agora é apenas uma parede de raiva e ódio, tudo que o lado sombrio manifesta.

É interessante observar como ele pode estar relacionado a Ahsoka agora. Ela é uma memória viva de quem ele foi. Ainda pior, ela conhecia a pessoa boa que ele era.

StarWars.com: Ele não deseja uma memória dessas.

Dave Filoni: Ele não quer ser lembrado disso e, de várias maneiras, ele provavelmente pensa que toda a relação foi uma falha, pois ela foi embora.

StarWars.com: Você acredita que ele, de uma maneira distorcida, está com raiva dela agora?

Dave Filoni: Sim. Acredito que seja de um modo quando você indiretamente fica com raiva de alguém ao não concordar com suas decisões ou ao deixar alguém ir embora e mais tarde algo ruim acontece. Você pensa, “Onde você estava?” Você culparia qualquer um, menos você mesmo.

StarWars.com: Então, ele não teria nenhum sentimento ao vê-la que fosse do tipo, “Ah, ótimo, você está viva.”

Dave Filoni: Não, não acho que ele pensaria de jeito nenhum que isso é bom.

StarWars.com: Certamente ele se importava muito com ela.

Dave Filoni: É claro, mas agora ela e Obi-Wan Kenobi são para ele os inimigos públicos número um e dois. É pessoal. E a questão não se cala: O que eles sabe sobre si próprios? O que eles sabem sobre o que aconteceu?

Ahsoka Tano em Star Wars Rebels

StarWars.com: E sobre a revelação de Ahsoka? Como você abordou esse cenário?

Dave Filoni: O retorno de Ahsoka ao universo de Star Wars foi algo que eu realmente quis fazer, obviamente. Queria que as pessoas dessem uma boa olhada em quem ela é agora. [O compositor] Kevin Kiner e eu queríamos que o tema dela se tornasse aparente à medida que ela falasse com Ezra, para que isso o conectasse completamente o público com o personagem na série Guerra dos Clones.

Foi um momento de desenvolvimento para mim, ver essa transição do personagem de um estilo para o outro. Foi um território novo a transição de um personagem que nós criamos em animação para um outro estilo de animação. Quando Ashley [Eckstein] dubla o personagem, isso começa a ganhar mais vida. Isso foi especialmente significativo para a tripulação que restou de Guerra dos Clones. Ver Ahsoka ganhando vida novamente e saber que continuaríamos a história desse personagem foi um grande desafio para todos nós.

Eu sei como eu quero filmar quando entro em uma cena como essa. Eu queria realmente a presença daquele momento em que todos viram a cabeça, quando ela diz, “Meu nome é Ahsoka.” Foi um momento divertido ter ela novamente na tela.

StarWars.com: Com o final de Guerra dos Clones do jeito que terminou e Rebels se movendo para um novo período de tempo, isso gerou alguma nova oportunidade ou caminho para Ahsoka que agora você esteja contente em ter?

Dave Filoni: Na verdade não. Sempre tive um grande plano de ação para Ahsoka, estando pessoalmente envolvido com a criação dela junto com George [Lucas]. Explorei diversas iterações ao longo dos anos nas quais ela não sobrevive à Guerra dos Clones e depois tive caminhos para o personagem nos quais ela sobrevive. Estou constantemente desenvolvendo esse personagem. Eu sei onde ela está agora. Sei quais são suas falhas e o que vai assombrá-la este ano, o que em minha opinião a torna muito interessante.

O plano original para seu arco de quatro partes na quinta temporada de Guerra dos Clones era trazê-la de volta para a ordem Jedi no final. Eu disse a George, “Bem, isso é o que nós normalmente faríamos. E se a mantivermos expulsa e ver onde isso vai dar?” Felizmente, ele concordou.

Acho que a grande questão é, para onde ela vai depois disso?

StarWars.com: Nós veremos o que aconteceu com ela entre Guerra dos Clones e Rebels?

Dave Filoni: Talvez. Eu sei o que acontece até o fim de Guerra dos Clones, e tenho algumas ideias sobre o que acontece com ela depois. Se tivermos uma história boa o suficiente, vamos contá-la. Acho que existe uma boa história sobre como ela se torna Fulcro [Fulcrum].

StarWars.com: Tem alguma coisa que você queira dizer sobre a temporada dois?

Dave Filoni: Ela é melhor. As apostas são mais altas e a ação é melhor. Fomos capazes de levar a história para alguns lugares bastante interessantes e divertidos, mantendo ao mesmo tempo uma certa intensidade. Se a temporada um representa Uma Nova Esperança, a temporada dois é muito mais inspirada em O Império Contra-ataca.

StarWars.com: Tenho um pedido pessoal.

Dave Filoni: [Risos] Pode falar.

StarWars.com: Existe alguma chance de podermos ver a fera Zillo de volta em Rebels?

Dave Filoni: Não. Sua escala é muito desafiadora para esta produção. Além disso, não sei o que poderia pará-lo nesse ponto. O Império teria que pará-lo. Isso é irônico, mas se eu fosse lá em baixo e disse à produção que queria fazer a fera Zillo, eles ficariam tão contrariados. [Risos] Foi muito difícil fazê-lo.

StarWars.com: E quanto à fera Zillo mecânica?

Dave Filoni: [Risos] Não. É a mesma coisa. A mecanização não nos ajuda de nenhuma maneira. Poderíamos fazer uma fera Zillo bebê.

StarWars.com: Gostaria de contar-lhe um pequena história e ver sua reação. Meu sobrinho tem seis anos e Star Wars nunca o interessou muito. Mas meu cunhado o pegou vendo Rebels e perguntou se ele tinha gostado. Meu sobrinho disse, “Sim. É muito melhor que aqueles filmes.”

Dave Filoni: Jura?

StarWars.com: Sim. Minha pergunta é, Rebels obviamente é um ponto de entrada para muitas crianças, independentemente de conhecerem ou terem gostado do filme. O que isso significa para você?

Dave Filoni: Bem, é uma grande responsabilidade. Eu diria isso. Tenho consciência disso já há alguns anos. George e eu realmente vimos isso na série Guerra dos Clones. Acredito que cada geração merece seu próprio ponto de entrada na história. A geração da prequel teve o seu, a geração de Guerra dos Clones também, e logo o mesmo vai acontecer com a geração de O Despertar da Força. É um momento excitante para Star Wars, existe um tempo, um local e um personagem para todo mundo.Star Wars Rebels
Dan Brooks é redator de conteúdo sênior da Lucasfilm e passa seus dias escrevendo matérias para o StarWars.com. Ele adora Star Wars, ELO e os New York Rangers, New York Jets e New York Yankees. Siga-o no Twitter @dan_brooks, onde ele fala sobre tudo isso.

 

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