Star Wars at 40 | “Eu sabia que estávamos fazendo algo diferente”: Dennis Muren reflete sobre Star Wars: Uma Nova Esperança

A lenda dos efeitos visuais relembra o filme que começou tudo.

Se houvesse um Monte Rushmore dos grandes nomes de Star Wars, Dennis Muren teria um lugar proeminente lá. Muren está com a Industrial Light & Magic, a divisão de efeitos especiais da Lucasfilm, desde que ela foi formada para dar apoio a Star Wars em 1975. Assim, ele liderou ou fez parte de grandes avanços nos efeitos visuais, desde as alturas ópticas inovadoras da trilogia original de Star Wars até os dinossauros digitais chocantemente realistas em Jurassic Park. Hoje ele é o diretor criativo da ILM e uma verdadeira lenda viva. Em comemoração ao 40º aniversário de Star Wars, a StarWars.com falou com Muren sobre seu trabalho como câmera de efeitos no filme que iniciou tudo, Star Wars: Uma Nova Esperança de 1977, debatendo como ele conseguiu o trabalho, as técnicas usadas para criar os efeitos inovadores do filme e o impacto contínuo da saga.

StarWars.com: Como você chegou à ILM e se envolveu com Star Wars?

Dennis Muren: Bem, eu estava trabalhando em uma empresa chamada Cascade [Pictures] que estava fazendo comerciais com efeitos, e eu estava fazendo frilas lá há anos. Eles fecharam, e eu havia ouvido que George [Lucas] – e eu não conhecia o George – estava fazendo um filme espacial e eu pensei: “Oh, isso seria muito legal de trabalhar”. Entrei em contato com alguém, não me lembro quem era, e fui chamado para uma entrevista com John Dykstra e Richard Edlund, e eles não estavam filmando nada. Eles estavam apenas construindo os modelos e montando em Van Nuys [em Los Angeles, Califórnia]. Mostrei-lhes o meu trabalho. Eu meio que me vendi como um cinegrafista de efeitos, mesmo que eu me visse como uma espécie de faz tudo. Mas em Hollywood você tem que colocar um carimbo em si mesmo porque eles precisam preencher um nicho. Então esse é o nicho que eu encontrei, e eu consegui o trabalho, nunca esperando que ele fosse se transformar em um grande sucesso.

StarWars.com: A sua função se expandiu a partir daquilo a que você se propôs?

Dennis Muren: Sim, mas eu não sabia o que era, eu não sabia o que viria a ser. Eu não havia feito nada parecido antes, com toda essa tecnologia, e fiquei curioso sobre isso depois de ver 2001. Pensando: “Há algo aqui que eu não sei”. Porque eu conhecia os efeitos da velha escola, todo o meu trabalho na Cascade, e os efeitos de King Kong e Ray Harryhausen e John Fulton com modelos e tudo isso. Mas, eu pensei, há algo lá que eu não sei e esta foi a chance de aprender. Então eu não sabia o que ia ser quando cheguei lá. Eu não fazia ideia. [Risos]

StarWars.com: Essa é a minha próxima pergunta. Uma vez que você chegou lá e começou a se envolver, o que você pensou sobre isso e do que o George Lucas estava pedindo para vocês fazerem?

Dennis Muren: Bem, eu provavelmente não vi George por três meses porque ele estava na Inglaterra, filmando. Então eu estava lidando com John ou Richard e os outros caras que estavam por perto. Não havia muitos naquela época, talvez 30, talvez menos do que isso. Somente montando as coisas, e eles estavam construindo um equipamento de câmera, e parecia levar uma eternidade para fazer tudo. Então, em alguns dos equipamentos que eles tinham, eu fazia testes de câmera para ter certeza de que as lentes estavam funcionando e testes de iluminação. Parte do modelo da trincheira foi feita, algumas das naves e protótipos foram feitos, e eu filmava e fotografava em qualquer tipo de filme para poder vê-los em algum tipo de filmagem. Então eles estavam passando o tempo até que o George lhes desse sequências cortadas para que pudessem começar a filmar os efeitos, porque eles realmente não sabiam o que era.

Nós tentamos fazer muitas projeções frontais, ou fazer placas de fundo, para a sequência das portas de arma das naves TIE voando para todo lado. Nós realmente filmamos aquilo, e eles estavam indo fazer isso lá, a projeção frontal [na Inglaterra]. Mas os atores não havia tiveram, de modo algum, realmente tempo nenhum para ver a projeção, o TIE deveria passar perto, e então a câmera deveria acompanhá-lo para fazer parecer tudo real. Então, isso tudo foi jogado fora e substituído por uma tela azul. E então você pode sincronizar tudo exatamente e eles podem fingir que estão vendo algo. Isso era muito melhor do que realmente tentar colocar tudo no set, mas o George estava tentando. Então essa é a primeira coisa que realmente produzimos, mas não estava no filme.

Então lentamente, quando nós voltamos, nós simplesmente mergulhamos de cabeça nisso e começamos a fazer as coisas, e o equipamento acabou sendo construído. Era um monte de coisas futuristas. Eram câmeras de velocidade lenta – tudo controlado por motores comandados por um computador, e 11 motores ou algo assim para a câmera girar para a esquerda, para a direita, para cima e para baixo. Braços telescópicos, acompanhando para a frente e para trás, e todo esse tipo de coisa.

StarWars.com: Era isso o Dykstraflex?

Dennis Muren: Sim. Eles tinham outra versão que foi feita com uma das velhas câmeras Technorama da Technicolor que também filmava VistaVision, que não tinha o braço, mas tinha todas as outras capacidades.

Por isso demorava muito para fazer uma só cena. Se você quisesse ter uma nave espacial lá, e ela tivesse que ser estática e se fosse para ela voar, poderíamos fazer a câmera voar, e talvez você a fizesse acompanhar a nave, e então você iria inclinar para baixo, e assim pareceria que a nave estaria voando e subindo. Agora, eu poderia fazer isso muito simplesmente com uma plataforma e um suporte empurrando a plataforma, e alguém deslizando a nave por meio de fios. Eu poderia fazer isso talvez em uma hora ou menos. A coisa toda. Podia levar, com todos os motores envolvidos e filmando um teste, meio dia ou mais para fazer isso através do controle de movimento [com o Dykstraflex]. Eu só pensei: “Isso é loucura, mas o que se pode fazer. Vamos ver o que acontece.”

O que eu não entendi, na verdade, até o filme acabar, foi o poder incrível que isso nos dava para projetar as filmagens, porque não havia acidentes. Tudo tinha que ser projetado, como se fosse gerado por computador. Você tinha que decidir exatamente como você queria que esta câmera se movesse, como você queria que o modelo se movesse, como você queria que tudo funcionasse. Mas você poderia fazer qualquer imagem que você quisesse, desde que você filmasse os elementos separados – todos separados, e você poderia combiná-los mais tarde. Isso era fenomenal. Isso foi uma verdadeira revelação para mim.

Os caras [que também estavam trabalhando no filme] eram completamente diferentes, na personalidade, de mim. Eu era mais um introvertido, o tipo de pessoa com a abordagem prática, e eles eram motoristas de corrida de fim de semana e motociclistas que estavam se divertindo. Eu ficava tipo, “Oh, nós nunca vamos terminar o filme!” Quero dizer, todo mundo estava preocupado com isso. Eu era apenas diferente. Eu trouxe Ken Ralston – e ele era muito parecido comigo – para ser meu assistente nisso. Então, mais tarde, consegui trazer o Phil Tippett e o Jon Berg, e outros caras do Império [Contra Ataca].

Realmente, passando todo o caminho até o fim do filme, eu não tinha ideia de que ia ser um sucesso. Era estranho demais. O roteiro, você sabe, você tem esses caras correndo por esses corredores em algum tipo de planeta espacial e um cara vestido com um traje de cachorro correndo junto com eles, e há esse robô como o Homem de Lata em O Mágico de Oz. Era isso o que parecia, literalmente, porque apenas vimos pequenos trechos. O George não nos mostrava muito, apenas fotos. E você fica pensando, “O que é isso? Bem, é interessante.” Eu realmente admirava o George por THX [1138] e [American] Graffiti e é por isso que eu queria fazer o filme. Uma das principais razões era conhecê-lo e trabalhar com ele, e maldição, se ele não fizesse acontecer! [Risos] Foi incrível – absolutamente incrível.

Vimos isso na projeção para o elenco e a equipe e ficamos simplesmente atordoados. Eu estava com pneumonia naquele dia. Eu estava trabalhando em Contatos Imediatos [do Terceiro Grau] e estava bastante doente, mas eu estava bom o suficiente para ir e me sentar no cinema e assistir. Então, mesmo com a medicação…

StarWars.com: Ainda funcionou!

Dennis Muren: Ainda funcionou. [Risos] A plateia, metade da qual era formada por pessoas que haviam trabalhado no filme, e a outra metade eram seus maridos e esposas, já quando aquela nave passa na cena de abertura, eles começaram a enlouquecer.

StarWars.com: Estou curioso. Parece que você não sabia se ele iria funcionar como um filme até que você o viu, ou se os efeitos iriam realmente funcionar. Mas o impacto dos efeitos em Star Wars foi tão grande. Você teve uma sensação, enquanto você estava trabalhando nisso, de que estava fazendo algo novo, de que isso iria mudar as coisas?

Dennis Muren: Não. Eu sabia que estávamos fazendo algo diferente. Eu não pensava necessariamente que ele iria mudar as coisas, porque eu achei que não chegava a ser tão realista quanto 2001, que foi feito da mesma maneira, mas sem toda a flexibilidade das câmeras e da tela azul, e que parecia simplesmente fenomenal. Para mim, mesmo vendo o trabalho em Star Wars enquanto estávamos fazendo, a maioria das cenas parecia muito grosseira. As naves estavam fazendo manobras engraçadas, elas não pareciam estar respondendo à forma como a inércia realmente moveria algo, e há apenas enormes linhas foscas em algumas tomadas.

Nós não tínhamos tempo. É incrível que algumas dessas tomadas estejam mesmo no filme porque era tudo muito apressado. As coisas estavam mudando o tempo todo na edição. Novas filmagens eram necessárias e coisas assim, então estávamos trabalhando 24 horas por dia, perto do final.

Mas eu não vi isso até que ele saiu, e fiquei tão surpreso quanto todo mundo que os efeitos tiveram essa resposta enorme. Eu ainda não sei se tenho uma resposta para isso. Acho que talvez eu estava apenas vendo a mecânica de tudo, e o público está comparando a outros filmes com naves espaciais onde tudo é câmera estática. Mas eu não achava que o público se importaria com isso. Outra possibilidade é que eles não se importam com essas coisas. Eles estão seguindo a história. Isso é tudo que eles estão fazendo, é seguir a história, e isso é tão convincente. Se você pudesse contar a história, não importa o quão real ela pareça, então quando você pede a eles para explicar de volta para você, não há palavras para essas coisas. Então eles tendem a dizer: “Bem, a batalha espacial foi incrível”, mas eles realmente não querem dizer isso. Eles realmente querem dizer que a velocidade com que Han escapou da Estrela da Morte no final foi fenomenal, mas eles não sabem o suficiente para dizer isso. Então eu ainda não entendo realmente.

StarWars.com: Eu só penso naquela cena do ponto de vista de primeira pessoa do X-wing, entrando na trincheira da Estrela da Morte, que ainda parece boa hoje. Eu não sei de nenhuma nave espacial em filmes antes que parecesse se mover tão rápido. Você conseguia reconhecer coisas como essa como sendo um tipo de salto?

Dennis Muren: Não, eu não conseguia. Não é loucura? Eu deveria ter conseguido. [Risos] Eu conhecia muito bem a mecânica da coisa. Depois que eu dominei a mecânica do que estávamos fazendo, podíamos fazer qualquer coisa. Então isso era apenas outra coisa. “Claro, nós poderíamos fazer uma filmagem como esta.” Eu estava vendo tantas coisas, especialmente na minha idade naquela época. Não tanto vendo a coisa toda, mas vendo a tecnologia e tendo que me ajustar a uma tecnologia totalmente nova que ninguém sabia como usar, e simplesmente descobrir como terminar as filmagens. Eu não estava suficientemente longe daquilo para ver o que o público iria ver, e isso é frequentemente o caso em filmes. É o diretor que sabe disso, porque ele está escrevendo, espero que com uma mente clara. As pessoas muitas vezes não sabem nada sobre os efeitos até verem o filme. Mas eu acho que outras pessoas, que estavam trabalhando nisso, viram e amaram.

StarWars.com: Como você se sentiu sobre o elemento de risco naquele momento? Para mim, é interessante que ele estava fazendo esse filme que muitas pessoas não entendiam, e ele também estava formando sua própria companhia de efeitos especiais ao mesmo tempo, o que é um grande esforço em si mesmo. Você teve algum sentimento do tipo, “Toda esta situação é meio maluca. O que estamos fazendo?”

Dennis Muren: Eu me senti mal por ele enquanto estava acontecendo, e as filmagens não estavam saindo porque as câmeras ainda não estavam prontas, ou outras coisas não estavam prontas ainda. Nós simplesmente não conseguíamos fazer isso. Precisávamos de um gerente de produção lá, e nós conseguimos um. Eu esqueci quando foi – setembro – então eles trouxeram um cara chamado George Mather, e ele assumiu o comando. Ele disse, “Ok, o Dykstraflex. Nós não vamos usá-lo somente durante o dia, vamos usá-lo dia e noite.” Eu peguei a equipe da noite, porque Richard queria usá-lo durante o dia, o que foi ótimo, porque era realmente das 4 horas até a meia-noite. Portanto, não era horrível. Mas eu não fui interrompido, então eu consegui trabalhar bastante. Fizemos isso com todas as câmeras e isso mais do que duplicou a produção bem ali. Ele tinha formação em cinema e sabia como fazer o que George fazia, e concordou com George e Gary [Kurtz] que temos que fazer o filme e você pode fazer isso. Você tem que acreditar que você pode fazer isso.

A coisa toda com a Força é tipo o George. Há algo nisso. Não que haja uma coisa cósmica. Ele pode acreditar nisso, eu não sei, mas a coisa é “não desista”. Isso é realmente uma coisa verdadeira. Se você acredita que você consegue fazer algo, você geralmente pode pensar sobre isso e descobrir uma maneira de fazer e realizar isso. Ele costumava dizer uma coisa. “Não há nada de errado em se meter em apuros, mas há muito de errado em não sair deles.” E estávamos em apuros e os produtores tiveram que nos tirar de lá, trazendo o George Mather, e isso funcionou totalmente.

StarWars.com: Eu imprimi algumas fotos da produção que eu queria te mostrar. Se você pudesse nos dizer o que exatamente você está fazendo na foto e quaisquer lembranças que você tenha da filmagem de cada efeito em particular.

Dennis Muren: Este é apenas uma das muitas tomadas onde você está voando para perto da Estrela da Morte, quando eles a veem pela primeira vez. Há cerca de cinco tomadas em que eles estão se aproximando, chegando mais perto dela. Esta é a filmagem de uma delas e, e está recebendo a exposição no destaque da Estrela [da Morte], e depois no lado escuro há este cartão aqui para refletir a luz sobre ela. Há outra luz dianteira ligeiramente fraca, e é filmada contra uma tela azul para que possamos colocá-la sobre outra coisa.

StarWars.com: Por que fazer o modelo tão grande em comparação com o tamanho dos outros modelos?

Dennis Muren: Eu não tinha nada a ver com o tamanho dos modelos, mas ela precisava ser esse tamanho para receber essas marcas minúsculas. O que você está vendo aqui é metade de uma cúpula, e atrás dela há um pedaço de tecido, eu acho que era, branco que nós tínhamos pendurado lá atrás, e então luzes a atingindo por trás que você também não pode ver, lá atrás. Então você está olhando através da tinta – Ralph McQuarrie fazia muito disso – e entrando com uma lâmina de barbear ou estilete e raspando a tinta e vendo um branco retroiluminado, algo por trás dela. É isso o que você está vendo. Mas se o modelo fosse apenas deste tamanho, você não poderia fazer a marcação naquela época, você não poderia torná-lo tão pequeno. E também para poder manter o foco, porque nós ficamos bem perto desta Estrela da Morte para algumas das tomadas que entravam, e nós precisávamos poder manter a profundidade do campo.

StarWars.com: Você se envolvia com o ajuste de um modelo se ele não estivesse funcionando para o que você estava filmando?

Dennis Muren: Oh sim, e houve momentos em que parecia que não havia luzes suficientes nas bordas – você pode meio que ver esse problema aqui – e você pode ir e aumentar um pouco. Eu poderia fazer isso ou pedir ao Steve Gawley ou um dos caras dos modelos aqui para fazer. E o George estava aberto a isso. Fizemos isso com os X-wings e tudo.

StarWars.com: Vader na Estrela da Morte.

Dennis Muren: Sim, voando pela trincheira. É apenas uma das tomadas da trincheira. Como estávamos muito atrasados, a ideia era filmar cada uma das naves separadamente para que elas pudessem ter diferentes trajetos de voo. Mas não havia nenhuma maneira de fazer isso, então comecei isso e acabamos fazendo isso muito – filmando tantas naves quanto possível ao mesmo tempo, e colocando uma ou duas delas em suas próprias pistas separadas. Assim, esta nave pode estar fazendo isso, esta pode estar fazendo aquilo e rolando, esta pode estar estática e rolando, mas não se movendo em qualquer lugar porque não tínhamos pistas suficientes, mas a câmera está fazendo todo o movimento. E vai parecer que estão todas separadas. Isso acelerou as coisas tremendamente e eu poderia fazer duas ou três tomadas em uma noite como essa, com várias naves.

StarWars.com: Isto é só você percebendo que “Estamos ficando sem tempo, temos que encontrar uma maneira de fazer isso?”

Dennis Muren: Sim. Enquanto as filmagens saíssem bem, o George não se importava.

StarWars.com: Que tipo de retorno ele estava te dando? A sensação que eu sempre tive é que muito da aparência das batalhas espaciais e dos efeitos vieram de seus interesses, coisas como corridas de carros e filmagens documentais de batalhas aéreas da Segunda Guerra Mundial. Ele deixou isso claro para você antes de começar ou ele voltava e dizia: “Tem que se parecer mais com isto. Tem que ser mais rápido.”

Dennis Muren: Bem, ele tinha o corte de filmagem que ele juntou para a porta de armas e também para a batalha espacial de filmagens que ele conseguiu da TV e documentários da Segunda Guerra Mundial. Esse era o modelo, e o Joe Johnston fez os storyboards a partir disso. Mas as velocidades nunca foram rápidas o suficiente. Então ele sempre dizia: “Faça-os mais rápidos.” Richard tinha uma ideia melhor do que eu sobre o que significava rápido, então ele filmava algo e às vezes o fundo iria tão rápido que nem sequer se poderia dizer o que era. Muitas vezes George dizia: “Ótimo! É isso o que eu quero.” E eu pensava: “Do que diabos ele está falando?” Então eu fazia algo muito mais tímido, porque você sabe, eu nunca dirijo a mais de 60 quilômetros por hora em Los Angeles de qualquer maneira. “Não, deveria ser mais rápido.” [Eu dizia,] “Mas aí você não vai poder saber o que é.” “Bem, apenas tente, está tudo bem.” Então eu tentava, e no momento em que você apanha isso em uma tomada, com um X-wing estático no primeiro plano, você percebe… Você está acompanhando com a câmera e você está começando a olhar para o mundo em camadas, que era o que ele estava fazendo na edição. Eu sempre fui uma pessoa espacial. Eu nunca havia lidado com camadas. Eu construía modelos e coisas, mas elas estavam sempre bem na minha frente. Então eu nunca entendi isso.

StarWars.com: Mas no momento em que você fez a perseguição de speederbikes em o Retorno de Jedi, você era o mestre da velocidade.

Dennis Muren: Até mesmo antes disso. Após terminar o filme e trabalhando em Contatos Imediatos, e especialmente trabalhando em [Astronave de Combate] Galáctica, é realmente onde eu coloquei todas essas coisas no lugar e comecei a perceber o controle que você tinha da velocidade e da emoção. Nesse momento eu consegui entender a tomada do voo na trincheira, o poder daquilo. Em vez de ser apenas um desafio técnico, era uma coisa poderosa de design. Isso tudo são coisas que o John entendeu e ele empurrou o sistema para fazer isso, e ele totalmente conseguiu e realmente entregou.

StarWars.com: Você está falando sobre o Dykstraflex. Você diria que essa é a grande inovação de Uma Nova Esperança?

Dennis Muren: Vou te dizer uma coisa, é muito mais do que isso. O Dykstraflex, com o sistema de controle de movimento que Al Miller e Jerry Jeffress construíram para isso, e conseguir que o sistema funcionasse. Recebendo o material da pista que Don Trumbull colocou. Mas também os modelos. Antes disso, esses modelos seriam feitos como uma pessoa como Greg Jein, ou em um estúdio. Modelos únicos muito precisos. Você olhava para eles – lindos, lindos. Eles provavelmente seriam muito grandes. [Olha uma foto de modelos de X-wing.]

Estes eram como, produzidos em massa, essas coisas. Havia moldes para eles, você poderia produzi-los em série, você poderia ter uma fileira de algo como 12 X-wings lá. Eu simplesmente pensava: “O que diabos é isso? Onde está a precisão?”

StarWars.com: Estes, você poderia explodir!

Dennis Muren: Estes, você poderia explodir e você poderia soltá-los e, em seguida, “Aqui está outro!” Além disso, eles estão indo tão rápido, você não precisa fazê-los de outra maneira. Então eu acho que foi um grande negócio. Foi assim que as peças da Estrela da Morte foram feitas, todas aquelas peças modulares da Estrela da Morte.

Você olha para Fuga no Século 23, que foi feito um ano antes de Star Wars, e até mesmo o King Kong de 1976, mas especialmente Fuga no Século 23 com modelos e tudo, e você vê o que a velha escola de Hollywood estava fazendo e as fraquezas de tudo nisso. E você olha para uma mentalidade inteiramente diferente para tudo, e foi isso que Star Wars foi.

StarWars.com: Aquilo é uma cerveja na sua mão?

Dennis Muren: Provavelmente. Isso deve ter sido depois de uma festa de algum tipo. Isto é uma exposição para um teste que nós estávamos fazendo. Há o flex lá atrás indo para baixo, e a pista está lá atrás, você pode ver, mais ou menos. Eu estou fazendo a exposição. Você tem alguma foto da trincheira mais larga? Ela era realmente interessante.

Você sabe como fez as múltiplas passagens descendo a trincheira? A cada vez, para adicionar drama, a trincheira ia ficar mais estreita à medida que ele passava por uma área diferente. Construímos a mais larga e construímos a pequena, mas nunca construímos a do meio, porque antes disso [o George] disse que não era necessário. Você não podia reutilizar filmagens dessa forma, também. A estreita, na qual fizemos a maioria dos testes, tinha muito mais energia porque você estava mais perto das paredes. Simplesmente fazia sentido usar essa para tudo.

StarWars.com: Quando chegou a hora do Império, que teve efeitos muito diferentes – mais animação stop motion com coisas como o tauntaun, e filmagens na neve e fundos brancos – a experiência de trabalhar em Star Wars fez você se sentir preparado para assumir coisas como essa e avançar para ainda mais desafios?

Dennis Muren: Sim, então eu poderia fazer as coisas que eu queria fazer, que era grandes cenários na frente da câmera e não apenas uma composição com a tela azul. Então eu amava isso. Esse foi o filme mais difícil em que eu já trabalhei, porém, porque nós nos mudamos para cá, tivemos que encontrar tantos talentos locais quanto pudemos, e então tivemos que treiná-los. Precisávamos de mais equipamentos porque havia muito mais filmagens. E levou mais tempo, como sempre, para construir as câmeras e todas essas coisas. Foi um filme muito difícil.

StarWars.com: Então, 40 anos depois. A) Você pode acreditar que já se passaram 40 anos desde que Star Wars foi lançado?

Dennis Muren: Não, não.

StarWars.com: E B) Quando você olha para trás, o que significa para você pessoalmente, o legado de Star Wars e o trabalho que você fez nele?

Dennis Muren: É tão incrível, porque enquanto eu estava crescendo, não havia futuro em nenhuma dessas coisas. Eu amava tanto, mas não havia futuro em efeitos visuais. Você não podia aprender em qualquer lugar, então eu nunca vi uma carreira. Mas isso era tudo o que eu queria fazer. E então ter tudo isso se juntando, que eu acho que foi por causa de pessoas da minha idade crescendo na frente da televisão, se acostumando a mudar as coisas rapidamente em sua TV, e gráficos, sendo capaz de ver essas coisas. Trabalhar com o George, que tinha essas histórias que eram semelhantes à fantasia, e queria fazer filmes sobre elas, e Steven [Spielberg] querendo fazer filmes sobre elas, e as outras pessoas que eram semelhantes. Os cinegrafistas que estavam tentando coisas radicais. Em todos os lugares, havia pessoas desse período dos anos 60 que estavam tentando coisas diferentes. Ele só funcionou porque as pessoas realmente queriam ver os filmes, e elas eram essencialmente as mesmas pessoas que estavam fazendo os filmes.

E foi muito bonito que tudo isso aconteceu, e se não tivesse acontecido, Star Wars teria saído como 2001. Teria estado lá e as pessoas teriam falado, “Oh, foi muito bom, os efeitos foram muito legais”, e depois teria passado, e nunca haveria essa indústria, nunca mais. Até que algo aconteceu. Não foi realmente um acidente, porque George e Steven, dentro de um ano, fizeram Star Wars e Contatos Imediatos. Então, foi realmente porque toda a nossa geração chegou lá e estava pronta, e as pessoas que não eram cineastas estavam prontas para vê-los. Esses filmes.

Mas isso continuou. Então, com os computadores, isso entrou em videogames e entrou em todas essas outras coisas. Realidade virtual, agora. Todos meio que baseados nesta realidade sintética, e criando ilusões para fazer as coisas parecerem o que elas realmente não são, e ter sua mente disponível para estar aberto a ver coisas novas. E então as pessoas tendo coisas em suas mentes que elas queriam mostrar para outras pessoas.

StarWars.com: Tendo feito parte de tantas inovações nos efeitos visuais ao longo dos anos, quando você olha para trás em Star Wars, em termos de impacto em comparação outros filmes, onde você o classificaria?

Dennis Muren: Eu acho que Star Wars teve o maior impacto sobre, pelo menos, o negócio de efeitos, e provavelmente sobre a diversão e o entretenimento para a família. Porque se você parar e olhar para o que ele começou… Contatos Imediatos, tanto quanto eu goste dele, eu não sei se ele realmente levou a qualquer coisa, e os filmes do Superman não levaram, e os filmes de Star Trek eram unidades em si mesmos. Mas Star Wars, eu acho que é essa coisa do Mágico de Oz com uma aventura amarrada em outra, mas com a família e amigos indo juntos para a aventura. É um grupo de amigos que confiam um no outro, e eles estão em perigo, eles se salvam, eles estão gostando disso, como na vida real. E há coisas que você nunca viu antes e você quer estar lá. Acho que essa combinação ainda é o que está acontecendo agora. Quem poderia ter pensado? [Risos]

Dan Brooks é escritor de conteúdo sênior da Lucasfilm e editor do blog StarWars.com. Ele ama Star Wars, ELO e os New York Rangers, Jets, e Yankees. Siga-o no Twitter, em @dan_brooks , onde ele fala sobre todas essas coisas.

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